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Domingo à tarde

Vais dizer-me que não gostas...

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01.Dez.17

Temos forma de lidar com o sofrimento?

Este falecimento do Zé Pedro fez-me pensar muito sobre a morte, o desaparecimento da vida, sobre tudo. Não a figura em si, que era muito conhecida e eu cheguei a vê-lo ao vivo mais do que uma vez, mas tudo o que recai sobre o momento.

Nós ao longo dos séculos fomos inventando tudo o que não havia, e fomos melhorando o que já estava feito. Inventámos até forma de prolongar a vida, sabendo que evitar a morte era inconsequente mas prolongámos o tempo que nunca foi nosso. Mas nunca soubemos inventar forma de ultrapassar no momento a falta, a saudade, o desaparecimento. O sofrimento que fica por não vermos, não falarmos, não escutarmos o que não existe, para isso nunca ninguém inventou o que quer que seja, e eu não consigo perdoar uma falha dessas. Não há livros de auto-ajuda, palavras de conforto para preencher o vazio porque a única forma que encontrámos para preencher a lacuna foi com conhecimento ou conteúdo. E um corpo morto não tem nem uma nem outra. Já diziam os humoristas que o humor existe porque somos o único ser que tem consciência que vai morrer, e eu não discordo. Sabemos o destino mas não sabemos lidar com ele senão a rir, mas nada disto nos faz rir. 

E foi nisto que pensei, que devíamos inventar forma de lidar com o sofrimento. A humanidade agradece.

 

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