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Domingo à tarde

Vais dizer-me que não gostas...

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20.Nov.17

Incapacidade para sofrer

Às vezes penso que sou demais. Outras que sou menos, muito menos, mas em todas elas eu dei o que tinha, e em muitas delas o que não tinha. Umas vezes venci, outras perdi e outras perderam-se por aí como se fossem farrapos a esvoaçarem no deserto entre o que existe e o que não existe na minha vida.

Vivi todo este tempo a acreditar de forma ingénua nas pessoas, pensando que o destino das coisas estaria nelas. Quão errado eu estava em pensar que se não fizesse nada ao mundo, que ele próprio se regenerava sozinho, que estúpido! Ferido de morte (o mundo), amavelmente destruído (o mundo), e eu ingenuamente enganado em toda a minha plenitude. O que vale é que aprendemos sempre desta maneira, não é? No limite da impossibilidade.

E bastou ligar a televisão para perceber que estamos no fim. Que nada agrada a ninguém, e que a maior futilidade é ser-se feliz. (Felicidade...que coisa  tão ridícula e distante). Vamos um dia ouvir dizer que a felicidade foi o que destruiu tudo isto, a harmonia das coisas e das pessoas. E aí vamo-nos rir, porque tudo é mau e porque parece ser mais fácil rir-se da maldade dos outros.

E agora vou beber um café numa esplanada ao sol, olhando de soslaio para quem passa e se ri da minha incapacidade para sofrer e me auto-mutilar com as mesquinhices da sociedade.

Adeus.

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