Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Inspiração, não fujas!

É o completo terror!
Bem, encontro-me à frente de um computador, bebericando um café com o dedo mindinho para fora (aliás, em tempos idos, este gesto era realmente diferenciador no que tocava à educação e bons costumes. Hoje é só estúpido). Ao beber este cálice em chávena com água a ferver, grãos de café moído e uma pressão de 15 bars, reparei na falta incessante de temas, de momentos para dactilografar aqui neste espaço, que tanto é meu como é daqueles que olham para o Domingo à tarde com ternura, com uma pitada de fogosidade à mistura e chouriço assado com pão alentejano.

Essa falta de temas, de momentos tem um denominador comum: meteorologia. Sinto que o tempo tem feito pouco de nós, sobretudo saúde, e tem feito gato sapato das nossas escolhas de roupa para sair à rua. E com isso abriu um buraco jeitoso no cérebro, deixando que diversas sinapses fugissem para longe e me deixassem à deriva sem qualquer chão, sem qualquer porta (Titanic, que saudades), sem qualquer tapete, sem qualquer...cala-te, porra!

E ao escrever estas pérolas, percebi que o tema pode ser o próprio tema.

Confusos?

Eu também.

Não sei onde quero chegar com isto mas o importante é ter saúde.

Saúde e dinheiro que a saúde não paga contas, antes pelo contrário.

Mas mortos também não fazemos nada e dizem que ainda incomodamos as pessoas.

pexels-photo-943627.jpeg

hippie-mrec

E quando algo nos deixa de pertencer?

pexels-photo-892541.jpeg

Tenho me deparado nos últimos dias com uma realidade que, além de dilacerante, é complicada de aceitar.

Na minha vida, não fui muito viajado, nem tive o conhecimento de mil homens para andar aí a gabar-me do que quer que seja. Não tenho o curso superior completo mas tenho vontade de estudar, estudar muito, de preferência para o resto da vida, em diversas áreas do conhecimento e do saber. Aparte disto, vivi grande parte da minha vida (até certa altura) numa vila, quase aldeia (agora quase só durmo) e pouco ou nada vivi e vi numa cidade, mesmo morando relativamente perto de Lisboa.

Aos 17 decidi ir fazer o 12º numa escola diferente, numa cidade, onde pudesse abrir a cabeça ao meio e expandir qualquer coisa para além de mim. Não foi bem aceite por quem não quer mexer muito na normalidade das coisas, sobretudo ter uma formação quase toda num sítio e "manchar" o currículo por um ano noutro. Impossível aceitar.

No que toca à Universidade, fugi para Lisboa. E aí deu-se uma revolução na minha vida. Passei dia e noite naquela cidade, estudei, diverti-me, brinquei, namorei, conheci toda a rede de transportes, naveguei com gente de todo o lado. O pior era quando regressava.

Encontrava uma corrente de pensamentos que se perpetuava no tempo. As mesmas histórias, a mesma forma de contar, a mesma forma de fazer, a mesma forma de ser e estar na vida - eu era um estrangeiro no meu próprio país.

Era excêntrico, renovador, radical e vivia numa bolha que extravasava muito para além da bolha dos outros, e isso era um problema.

É difícil furar uma forma de estar que resiste, quando não é necessário que seja de outra maneira. É difícil mudar a mentalidade de alguém quando, mais que a comodidade, chega-lhes perfeitamente para viver e coexistir. Tão difícil como eu agora descer à Terra para ver que existem pessoas que não querem saber mais do que já sabem.

Eu sou muito novo, quase nos trinta, e estou numa fase em que posso gozar a vida, mas com deveres agravados. Em que a malta mais nova já nos olha com algum respeito mas que ainda nos vai dando chutos nas canelas.

Apesar disso, o tempo vai-me trazendo cada vez mais as pessoas e cada vez menos a Lua.

E eu não quero perder a simplicidade, muito menos a capacidade de me moldar à realidade onde me encontro. Não quero ser banal numa cidade grande, nem estrangeiro num sítio que me é familiar. Quero poder estar onde tenho de estar, e ser para mim e para os outros alguém capaz de captar a essência do espaço e a forma de estar. Quero viver no limbo entre ser quem sempre fui mas com upgrades à mistura.

Porque não há nada pior do que sentirmos que há coisas que já não nos pertencem, não é?

hippie-mrec

Fod-##&#-# lá a chuva [explicito]

Bom dia.

Hoje o meu progenitor faz anos e como prenda aí está um excelente dia de chuva. Aliás, o Senhor São Pedro fez questão de adornar este tempo com pontadas valentes de vento e um céu cinzentão que só pede descanso (é o que vou fazer já a seguir). 

Mas além do São, também quis enfeitar este tempo, piorando-o na óptica do meu utilizador. Trouxe uma manga curta com um casaco de muito meia estação e uns tenis de verão. Ora, como a água que não escoa é promovida a rio, imaginem onde este menino se enfiou com uns tenis de verão.

Exacto.

Todo ele sou um pedaço húmido de ser humano, com tendência para piorar.

1523516367630127762954.jpg

 

hippie-mrec

Tens tempo?

Peço ao empregado que me traga um café, um pastel de nata e a conta. Peço-lhe com o vagar de uma vida, para desfrutar do amargo do grão do café com o doce do pastel. 

Não se ri, se calhar é mau dia.

Como o compreendo.

Este frio, este cinzento de uma paleta pobre tem dado cabo da disposição e da alegria que só a luz e o sol trazem. E há tanta gente a precisa de luz que as guie...

Pago-lhe e com maneiras desejo-lhe um óptimo dia. Esboça um pequeno sorriso porque não lhe pagam para mais. Às vezes dá-me a sensação que muita gente é paga apenas para cumprir porque não podem eles próprios desempenhar a função. 

Saio. De mãos nos bolsos e com um podcast nos ouvidos vou espalhando a minha presença pelas ruas de Lisboa. O trabalho já vem e enquanto o tempo me permite, não quero saber disso para nada.

 

Faz o mesmo.

IMG_20180411_174828.jpg

 

hippie-mrec

Queixinhas

Há um tipo de pessoa que me irrita solenemente - os queixinhas. Não aqueles que, sentindo-se lesados, se queixam pelos seus direitos mas aqueles, cujo legado laboral (ou na vida) é um par de meias e uma lata de feijão, se queixam por tudo e por nada. Não sei se o estrato social, a experiência de vida ou forma de estar determinam este tipo de atitude, mas viver com isto deve ser desgastante. É que este tipo de pessoas tendem a queimar-se sozinhas mais à frente, tropeçando nos próprios pés, dando-lhe tiros a qualquer instante. Pior ainda é deixarem de ter qualquer noção quando se queixam, tomando muitas vezes proporções que roçam o ridículo.

E repito: queixarem-se pela falta de direitos, tudo muito bem, mas sair do contexto só porque tudo os inquieta, é que pronto.

 

hippie-mrec

Não te deixarei, Sporting Clube de Portugal

naom_5ac68e74e8e2c.jpg

Nem gosto muito de vir para aqui falar de bola porque entendo ser um espaço de partilha quase familiar, de assuntos que possam roçar (ou não) o conforto e o prazer de viver, longo dos assuntos inflamados como a bola. Mas como em tudo na vida, quando algo me inquieta, algo me chama para aqui para me libertar.

Como Sportinguista com "S" grande, vai sendo por estes dias um vivenciar de momentos complicados, e mesmo em total respeito, não deixa de ser difícil aguentar. Falo nisto porque vivo isto, partilho isto com L. como sabem, e em boa verdade, grande parte da nossa vida é passada em Alvalade ou no João Rocha. É algo com o qual nos comprometemos, que me comprometi e que me dá real prazer. Puseram-me nas mãos, ao longo dos anos, a tarefa de culpabilizar tudo e todos, de contrariar o rumo do clube, de me fartar das coisas que iam acontecendo - em vão. Nada me demove do amor genuíno que tenho pelos valores, pela história, por esta coisa primitiva que me chama ao Sporting, independentemente do resultado ou do momento...Nada! Fui ensinado ao longo da minha vida a respeitar a derrota, a perda, porque ela ensina-nos o que aconteceu de errado e, por conseguinte, a melhorar esses erros. Ensinaram-me que qualquer relação demora o tempo que precisar, que nem todos têm o mesmo tempo definido para se ser e estar na vida. E o Sporting ensinou-me que, interpretem como quiserem, que o Esforço, a Dedicação, a Devoção são valores transversais que enraizados em nós podem realmente fazer-nos melhor e mais completos. A Glória é consequência dos outros valores, e ela lá chegará.

Onde eu queria chegar é a este ponto: num mundo carregado de falta de valores, é o cumprimento das coisas que interessa, pelo que não há caminho que valha que sirva de consolação porque tudo é pago com sucesso, até o tempo de antena porque a perseverança deixou de pagar contas há muito. Depois confunde-se exigência com vontade, capacidade com eloquência. E eu sei o que vão dizer mas vou discordar. As coisas resistem com bases fortes, com alicerces capazes, e temos inúmeros exemplos na natureza e na História que o comprovam. Mas é preciso cuidar para manter intacta a força que aguenta isto tudo, e isso só se consegue numa sociedade com valores. É isso que leva, por exemplo, crianças ao desporto e a amarem o desporto, é isso que mantém à tona da água a vontade de regressar e ingressar num mundo cada vez mais pobre. É fácil ganhar no limite porque é mais barato, mas a longo prazo as coisas acabam. E muitos que seguem essa filosofia, além de se borrifarem para os valores, não têm estrutura suficiente para gostarem realmente das coisas.

E eu amo verdadeiramente o Sporting. Nunca levei abanão suficiente que pusesse em causa tudo aquilo que acredito. E ensinarei aos meus descendentes que na vida temos de ter a certeza do que queremos, que devemos lutar pelas coisas que devem permanecer intactas porque foi o sacrifício de outros que nos fizeram chegar aqui. E é essa a maior lição que recebi na minha vida...o respeito. Respeitar para haver ordem, respeitar para haver um caminho, respeitar quem se sacrificou por nós para que pudéssemos estar no patamar onde estamos hoje.

É por isso que eu e a L. estaremos amanhã no João Rocha, Domingo em Alvalade e dia 19 rumamos a Espanha. É um sentimento de pertença que nos preenche e nos ilumina o caminho que temos de percorrer.

Disclaimer: O que digo aqui vai muito para além das escolhas, dos erros, das pessoas que envolvem o clube. O meu objectivo é ir lá atrás, que nos fez estar aqui.

Bem, Viva o Sporting Clube de Portugal.

 

créditos da imagem

hippie-mrec