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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

25.03.18

Quantas vidas vivemos neste bocadinho?


Desliguei o mundo quando a música começou. 

Imaginei-me sozinho num salão de gala, luz de fundo e a corda do sapato a quebrar o silêncio.

Um piano faz de banda sonora e entra o melhor de mim. Baixo a cabeça quando a oiço aproximar.

Sinto o toque.

Afaga-me os braços. Solto um sorriso.

Peço-lhe a mão, beijando-a ao de leve. E sorrio, deixando-as saber que os seus olhos são o espelho desse sorriso.

Deixo-a encostar-se ao meu peito, mãos juntas, de lábios encostados ao seu ouvido.

A dança começa tímida, muito lentamente.

Conto-lhe a história da nossa vida, o quão sortudo sou por vivê-la, até a voz embargar.

A luz segue-nos, e a luz que ela é segue-me para todo o lado.

A primeira lágrima molha-me a camisa, o peito. Esse que arde de amor.

A dança continua, quantas vidas vivemos neste bocadinho?

Quando cessa o piano, ficamos assim por mais tempo, em silêncio, a consumir as memórias de que somos feitos, na certeza que faremos gato sapato da vida e continuaremos a iluminar a felicidade que emanamos.

 

Secam as lágrimas salgadas do meu peito, para dar lugar aos sorrisos doces que não existem assim tanto por aí.

 

Caramba, como te amo.

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