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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Regresso aos 28 anos

Quase 10 dias depois volto. Mas volto sem inspiração, que nem os 28 feitos ante-ontem me deram porque é assim a vida. Volto, como volta a vontade de picar o ponto, de escrever, pelo vício do vício de escrever. Foram 9 os dias, mas sempre deu para causar saudades, não foi? Digam que sim por simpatia

Como me sinto com 28? Igual. Aliás, com o avançar da idade, há uma necessidade de se saber como se sentem as pessoas que envelhecem. E quem passa pelo tempo não sente ali o tempo passar, é como uma moínha que vai e vem ao longo dos anos. Mas sou novo, porra!

E com os 28, vou estando mais próximo dos 'intas, idades em que deixamos de forma natural a simpática juventude para assumirmos de forma definitiva, moralista até, a idade adulta.

Mas no essencial...voltei. Como tinha voltado à terra do meu pai e da minha mãe. Voltei ao conforto deste lar, que é tão meu como vosso.

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Até ao fim da vida

É para lá do rio Tejo que as diferenças acentuam-se, num banco de jardim, rodeado aqui e ali de montes alentejanos, e onde o vento susurra levemente e o silêncio se instala.

- António, não vens almoçar?

- Já vou, tenho tanto tempo!

- Mas precisas de te alimentar, homem.

- Eu sei, e hoje são migas e sopa de cação.

- Adoro!

- Também cabes na mesa, queres vir?

- Quero.

Comer é passatempo, quando o tempo não passa. Degustar a vida com o palato é das poucas coisas que faz pessoas como o António viver e sentirem-se vivas.

- António, há muito mais que possas viver?

- Há, mas isolaram-nos aqui.

- Não eram uma povoação isolada?

- Éramos, mas o comboio passou aqui.

- Aqui?!

- Sim, metade da aldeia trabalhava para os comboios mas como o dinheiro não passa aqui, os turistas não vêem.

- Só os autocarros...

- É...as carreiras só vão até Évora para que possamos ver gentes e coisas. Aqui vai morrendo tudo.

- E se eu tentasse mudar isto por aqui?

- Tu? - riu-se - sempre aprendi que tudo tem um fim, e esta aldeia está condenada.

- Que esperança tenho?

- Faz como os outros...vai para Lisboa que lá tens de tudo.

E folheia com as suas mãos enrugadas o Diário de Notícias. Tudo é com vagar, até ao fim dos seus dias.

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100 perguntas que nunca ninguém me faria

Vamos a isto.

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     1. Já fizeste alguma cirurgia plástica?

Não, nem quero. A menos que seja estritamente necessário, por algum motivo especial.

     2. Já tiveste que fazer cocó em algum sítio que não era suposto fazeres por estares demasiado aflito?

Já, mais que uma vez. A última vez foi numas árvores num parque de estacionamento perto do IKEA de Alfragide, com um segurança a ir atrás de mim. Parecia um traficante de caca, e larguei a obra ali para adubar o espaço.

     3. Qual foi o disfarce de Carnaval que mais gostaste de usar quando eras criança?

Odeio o Carnaval.

     4. Já namoraste com alguém que tenhas conhecido numa "rede de engate"?

Não.

     5. Já curtiste com alguém de quem não te lembras por teres bebido demasiado?

Nunca cheguei a esse ponto. Fi-lo sóbrio, que é uma coisa espantosa nos dias que correm para muitos jovens.

     6. Tiras macacos do nariz? E o que fazes com eles?

Macacos? Oh senhores, eu tiro autênticos gorilas, de tal forma que às vezes fico espantado. Mas trato de o pôr num lenço, que isto não é assim à balda.

    7. Já te peidaste e culpaste outra pessoa?

Oh...ainda agora

     8. Preferias ser atacado por um urso ou por um enxame de abelhas?

Tenho pavor de abelhas e visto não ter visto um urso por perto, até ver, um urso.

      9. Já apanhaste alguma multa? (de carro ou de outra coisa qualquer - desacatos na rua, exibicionismo...)

Não.

     10. Se os teus vizinhos estivessem a fazer sexo no prédio à frente de janela aberta, ficavas a ver até ao fim ou fechavas as tuas cortinas?

Via mas não via até ao fim. A menos que estivesse tão aborrecido que o melhor era ver o episódio todo.

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não podemos levar a mal quem nos ama de verdade, pois não?

Hoje fui à terra. À nossa terra, Mãe e Pai. Mãe veio em primeiro porque ela carregou-me no seu ventre, e tu não Pai. Mas viste-me cá fora, na nossa terra. Pediram-me ajuda e eu fui, e riram-se do meu mau jeito para o campo, para as enxadas e para a pouca força que tenho para o que o trabalho pede. E rimos todos, porque com o passar dos anos, é esta a única forma de encarar os bons momentos, as boas memórias. Queixas-te das costas, Pai, pensas tu que tens 20 anos. E vem a Mãe, amparar-te as dores com pomadas e comprimidos para sanar as dores. São as dores de crescimento ou da velhice? Dizemos na brincadeira que já não vais para novo, mas a verdade é que não vais mesmo. E eu quase nos 30, acreditam? Um puto, crescido, que por acaso vai tendo mais cabelo branco que vocês, que teimam em não ter nenhum. Espero que seja genética esquecida da vossa parte, senão aos 50 terei uma vida grisalha. Diz, Mãe? O que é o jantar? Pergunta ao Pai, ele é que se arma em cozinheiro. Já sabem que sou de boa boca, como tudo. Tudo não, mas o cozinheiro é o Pai, ele é que sabe. 

Então, Pai, vamos a Setúbal ver o nosso Sporting? Ele é sempre tímido, não gosta de confusões. Parece um miúdo ao meu lado, sentado na pedra ao frio. Era eu com menos 20 anos, mas ele tem 57. O tempo é intemporal, é irreversível mas dá a volta ao tempo. Mãe, vens? Ela não quer, ela deixa-se vencer pelas novelas, pelos programas das fofocas e dos mexericos. Não a condeno, chega o tempo em que quer tempo para ela. Ai Mãe, Mãe, eu dou-te descanso. Hoje sou eu que levo o Pai à bola, o pequenote.

 

não os posso levar a mal.

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