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Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Domingo à tarde

Senta-te, desfruta e serve-te enquanto vou ali fazer uma sestinha

Já ninguém precisa das pessoas

Não existe mais amor, não existe mais paixão, só existe o jeitinho desarmado dos beijinhos e abraços. Já ninguém corre o risco, nem se deixa encantar pelo sorriso, nem pelas meias palavras desajeitadas, das saias corridas e das tristezas repentinas. Já ninguém sofre sem que bata, sem que queira vingança ou cometa uma estupidez. O amor passou a ser algo que nos ajuda a pagar as contas, os jantares e as companhias para as festas. Já ninguém perde tempo, já ninguém dá espaço, e as flores vão morrendo à espera que os amores as levem com elas. Já não se leva as paixões para debaixo da árvore, para atrás dos blocos A,B,C,D,E da escola, faça frio, calor ou chuva. Já não há medo, nem susto nem o esgar de tesão que rasgue e prove o suspiro das coisas proibidas.

O que há são ecrãs, vozes fracas, ocas, gestos infantis e mimados, joguinhos de sentimentos, um desmazelo completo de um desatinadinho de merda qualquer. Tudo é estúpido, tudo é lá de trás, porque tudo o que sabemos vem nos livros novos, de pessoas novas que se aventuraram com a sua genitália para escrever. Amar hoje é chacota porque um homem que ama não é homem, mulher que ama é atiradiça. Sexo é quase uma constipação que se apanha porque apanhámos frio nos pés, um brinquedo, disponível para quem quiser usar coisas dentro de outras coisas. Sexo já não se merece, porque sexo parece banal porque vem escrito nos livros.

Já ninguém precisa das pessoas. Só precisam quando o chão lhes foge e aí, no desespero, procuram qualquer porto onde possam atracar. Não respeitam a coerência mas procuram-na nos outros, não abrem mão por ninguém mas esperam sempre alguém que as auxilie. E aí tudo é por amor, por tudo o que passámos, pela nossa história e porque nunca pensamos direito quando partimos um para o outro a quente. Mas a história escreveu-se vazia e as pessoas naturalmente vão-se embora, não é? E o partir desarma, aproxima e desespera. Ninguém quer ver partir, nem por uns tempos nem para sempre.

Por isso, por mim, viverei sempre num mundo paralelo, onde posso respeitar o amor, por mim e pela L. Porque preciso dele e dela e porque viverei também dele e dela. E porque lá posso experimentar ser tudo, ser eu em toda a parte.

hippie-mrec

Delito de Opinião: o livro

Eu sempre fui a favor de recomendar, comprar e apoiar as causas que são criadas por pessoas e para pessoas, longe do puro negócio e do "papa" dinheiro, a qualquer custo. É por isso que, e sou suspeito porque fui convidado lá, ajudei a que esta ideia do livro do blogue Delito de Opinião seja uma realidade. Se procuram um blogue de qualidade, de pessoas que partilham opiniões formais, fundamentadas, interessantes sobre o mundo que nos rodeia, é aqui que encontram. É bom perceber as tendências actuais, as correntes de pensamento, lendo este espaço e estas pessoas que são como nós. 

Por isso se puderem...apoiem e terão uma obra de qualidade em casa.

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Se quiserem saber mais sobre esta ideia: aqui

hippie-mrec

Diga bom dia com...moKambo

Nascem os primeiros raios de sol, a fresca brisa pela manhã e eu já estou todo fodido.

Na verdade sairei do trabalho não tarda, para ir degustar um saboroso sono, ao som de marteladas no meu prédio. Curiosamente, de dia são marteladas pelo prédio, à noite marteladas no andar de cima. Vidas.

Quem ousar olhar para mim neste momento, pensará: "Que figura tão cansada, que atrocidade triste de ser-humano!", e eu direi com delicadeza: "São olhos secos! Porque está vento e me fazem fechar os olhos, meu caro Vitor!", e ele dirá que não se chama Vitor e seguiremos caminhos opostos, porque o engraçado da vida à noite, é que de dia remamos sempre contra a maré. A maré são as pessoas, ok? Pronto.

Agora a sério, não há aí um cafezinho para mim, não? Forte, de preferência. Sem açúcar. Isso. Não. Não me tira o sono. Não, chato...porra!

Caso para dizer: Diga bom dia com mokambo!

hippie-mrec

O que podia ter sido e não fui

Imagino-me um pianista a entrar em palco numa sala pequena, apinhada de gente. E ao entrar, aceno, com os dois holofotes que me apagam e me isolam da multidão que só pede para me ouvir. Antes de me sentar, ajeito as abas de grilo do casaco, que aluguei numa casa de casamentos para a ocasião, e sento-me. Olho as sete oitavas que compõem a minha arte, a minha cultura, a minha vida e deslizo os dedos através delas, fechando os olhos para me fixar no que transmito e abrindo-os para fixar o trabalho que realizo. O silêncio vai abalando a sala que escuta com a mesma atenção que eu, respeitando a música e quiçá o seu intéprete. Abrem-se as cortinas do meu lado esquerdo, baixam quase todas as luzes do palco, para deixarem apenas uma no espaço que ocupo e ligam um projector do fim da sala. Projectam imagens minhas de criança, feliz e apaixonada, que vão sendo projectadas em silêncio com a melodia triste que vou lançando. Imagens que vão sugando a compostura das pessoas, e puxando para fora as memórias que sendo minhas, também já foram as delas. A música avança e avançam as imagens no tempo, onde agora sou um adolescente na puberdade a experimentar as primeiras tecnologias, as novas modas e os avanços e recuos da minha geração. Solto uma lágrima, uma das muitas que vou sentindo no fungar da plateia, que se imaginam a si e aos seus filhos por tudo que passaram. Não vejo as imagens mas a melodia puxa-me para o que é importante, puxa-me para a vida real, as memórias, o tempo que passou. As últimas imagens projectadas são do meu casamento, dos meus filhos, da minha vida grisalha que tanto trabalho me deu a cuirdar e a desenvolver. Termino com um Mi e um Dó tristes e deixo o som fluir por meros segundos que vão ecoando. Estendo as mãos nas pernas, levanto a cabeça e vou ouvindo ao longe um ecoar das palmas, de pessoas em pé de lenços suados na mão e sorrindo para aquilo que foi dos melhores momentos da sua vida. Faço uma vénia para os que se encontram do meu lado direito, outra para os do meu lado esquerdo e finalmente uma no meio, demorada, pelo agradecimento do reconhecimento do sentimento que consegui transmitir.

 

Era o pianista que queria ter sido e não fui, reconhecido por artes que não tenho. Mas pianistas podemos ser todos, se trabalharmos a arte de viver o melhor que pudermos, porque todos reconhecem o esforço a quem efectivamente nunca desistiu. E porque vamos sempre a tempo de sermos melhores pessoas - sempre.

hippie-mrec

Sapos do ano 2017 - os vencedores

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Os vencedores deste ano foram estes:

 

Opinião - Língua Afiada

Humor - Oh por favor…

Livros - Stoneartbooks

Moda - La Vie En Rose

Poupar - Caça Promoções

Música - Blog música para alma vibrar!

Fotografia - Existe um Olhar

Comida - Mamã Paleo

Família - Mães mais que imperfeitas

Generalista - Maria das Palavras

 

Eu fui um dos 5 melhores na categoria "Opinião", o que é de uma honra bastante grande. Para o ano ganho eu, com larga vantagem, porque vou juntar algum dinheiro e corromper as pessoas para votarem em mim.

hippie-mrec

Não sei sê-lo sozinho

Olhei-a nos olhos desesperados

o ar afoito incompleto e viril

dotados de feitos desmesurados

nasceu pó, para lá de Abril.

 

E o olhar determinado 

de quem anda à deriva

procurando o significado 

da fome de amor que tem e do qual se priva. 

 

E eu acredito porque sei

por tudo o que ela é

e é tudo o que lhe dei.

 

Só não sei ser o maior louco

que o mundo sabendo que tenho tanto 

me vai dando tão pouco.

hippie-mrec