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Domingo à tarde

Não gostas, queres ver!

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28
Mai17

Comboio da vida

David Marinho

Às vezes vemos a vida a passar a alta velocidade. Vemos tudo desfocado, em linhas de luzes, sentados à porta de uma carruagem de comboio antiga. E é o vento que nos vai levando ao destino, e é ao vento que tornaremos. Pudera eu ter os medos de uma criança de 5 anos, e poder pela primeira vez, outra vez, pisar uma escola, reaprender a vida, reviver a vida, com a inocência que já não podemos ter. Poder ter as primeiras feridas, os primeiros amores, os aborrecimentos de uma vida tão distantes da realidade. É que o comboio vai saindo do apeadeiro, devagarinho, e vai dando tempo aos que chegam tarde, de agarrar os corrimões das escadas da carruagem e de os levarem ao próximo apeadeiro. E era ver o chefe da estação, o guarda de nível, a voz estridente do senhor que anunciava os comboios, o outro senhor que apitava para a partida com a bandeirinha vermelha, que acabou. Hoje ninguém espera por ninguém porque o tempo passou a ser efémero, ninguém se pacienta por nada nem ninguém, e quem falhou uma vez, muitas vezes não falha mais porque não lhe dão outras oportunidades. Não vivi para ter de ser substituído por robôs, nem lidar emocionalmente com latas que não me dizem nada. Falta-me os magustos, as festas de lição 100, os trabalhos manuais e os diálogos. Falta-me parar e apreciar onde estou, o que faço e para onde vou. Falta-me tanto e não me falta nada. 

 

créditos da imagem

25
Mai17

Obrigado.

David Marinho

Sabes, eu sei que tomaste em tempos conta de um mundo inteiro, e que foste tratando dele como nenhum outro tratou. Levaste contigo toda uma armada que, buscando um sonho quase impossível, atingiu um patamar que nos elevou ao topo, de onde nunca devíamos ter saído. Os anos foram passando, as coisas cresceram, menos tu - afinal, as coisas pequenas nunca deixam de ser apreciadas, não é verdade? E todos foram acompanhando tudo o que fazias, o que falavam de ti e o que te iam fazendo, mas aguentaste-te uma vez mais, com sempre.

Como consegues? É truque, não é?

Creio não haver quem sofresse tanto como tu, que outrora vivia a felicidade de albergar gente valorosa, corajosa, doida como só tu conseguuias (e consegues) fabricar. Eu não vejo isto na nossa vizinhança nem nos pontos distantes de ti, e esta é a maior homenagem que te posso fazer: a de seres único, soberbo, sobrenatural.

Conheço-te há pouco tempo mas faço questão de ir buscar as tuas memórias que certamente te vais esquecendo aos poucos - afinal, já não vais para novo, não é? Mas continuas a querer ser o avozinho fixe, que as gerações que nos precederam querem continuar a ouvir, a cantar-te e a amar-te, tanto quanto as gerações vindouras, certamente.

Todos os dias vamos devolvendo um pouco do que nos ensinaste a ser, a viver essa palavra que não tem tradução em nenhuma outra língua que não a nossa...saudade. Mas é bom saber que, mais do que a tua idade, nunca passas de moda e vais sendo entoado pelas bocas de todo o mundo, cada vez mais pelos melhores motivos. 

Deixa-me orgulhoso, vagamente apaixonado. Dá-nos a capacidade de te mostrar, todos os dias, de que somos capazes, que vamos conseguir amar pelos dois.

Obrigado Portugal.

créditos da imagem

 

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